Marketing médico: o que a Resolução CFM 2.336/2023 mudou e como aproveitar com segurança
Durante muito tempo, a conversa sobre publicidade médica no consultório se resumia a uma frase: “melhor não postar nada, para não ter problema”. Muitos colegas passaram anos com o Instagram parado, o perfil no Google pela metade e a sensação de que qualquer comunicação com o paciente fora da consulta era arriscada. A Resolução CFM 2.336/2023 mudou bastante esse cenário. Ela não liberou tudo, mas deixou mais claro o que é permitido, o que continua vedado e como o médico pode se apresentar ao público com dignidade. Este guia resume o espírito da norma em linguagem de consultório e mostra como transformar isso em rotina, sem substituir a leitura do texto oficial.
O que é a Resolução CFM 2.336/2023?
A Resolução CFM nº 2.336/2023 é a norma do Conselho Federal de Medicina que trata da publicidade e da propaganda médica. Ela substituiu a regra anterior, de 2011, e foi escrita já considerando redes sociais, vídeos e anúncios on-line. Em termos gerais, ela amplia o que o médico pode divulgar sobre o próprio trabalho, mas mantém limites firmes contra promessa de resultado, sensacionalismo e exposição indevida de pacientes.
Na prática, a mudança mais sentida no dia a dia foi de postura. A regra antiga era lida, por muitos, como uma lista de proibições. A nova tem um tom mais de orientação: reconhece que o paciente pesquisa na internet antes de escolher um médico e que é melhor ele encontrar informação correta, assinada por um profissional identificado, do que conteúdo duvidoso.
Isso não significa que o médico virou um anunciante como outro qualquer. A medicina continua sendo tratada como atividade que não pode ser exercida como comércio, e esse princípio atravessa a norma inteira. O que mudou foi o espaço para comunicação educativa e institucional, que agora é mais amplo e mais bem definido.
O que mudou na prática para o médico nas redes sociais?
A principal mudança prática é que o médico passou a ter mais clareza para mostrar o próprio trabalho: o consultório, a equipe, a estrutura, a formação e o seu jeito de explicar a medicina. A norma trata de forma mais direta as redes sociais e o conteúdo em vídeo. Ao mesmo tempo, temas sensíveis, como imagens de pacientes e divulgação de valores, ganharam regras específicas que precisam ser lidas com atenção.
Alguns exemplos do que costuma caber dentro do espírito da norma, sempre com bom senso e identificação correta:
- Apresentar o consultório e a equipe, mostrando a recepção, as salas e o cuidado com o ambiente.
- Explicar doenças, exames e prevenção em linguagem acessível, sem fazer diagnóstico a distância.
- Falar da sua formação e da sua área de atuação, com a especialidade registrada.
- Desfazer mitos comuns que você ouve no consultório toda semana.
- Divulgar informações de atendimento, como endereço, convênios, horários e forma de agendamento.
Os pontos que exigem leitura cuidadosa do texto oficial, porque têm condições próprias, incluem o uso de imagens de pacientes, o conteúdo de antes e depois e a forma de falar de preços. Nesses casos, a recomendação é simples: antes de publicar, confira o trecho correspondente da resolução e, se ainda houver dúvida, consulte o CRM do seu estado. Não é exagero de cautela. É o mesmo raciocínio de checar uma interação medicamentosa antes de prescrever.
O que continua proibido na publicidade médica?
Continuam vedados, de forma geral, prometer resultado, fazer sensacionalismo, usar a medicina como comércio, expor pacientes de forma indevida e se autopromover de maneira que fira a dignidade da profissão. Também segue obrigatório identificar o médico com nome e número do CRM e, quando houver anúncio de especialidade, o registro de qualificação de especialista, o RQE.
Alguns exemplos de comunicação que costuma gerar problema, independentemente do formato:
- Frases como “resultado garantido”, “sem dor e sem risco” ou “o tratamento definitivo”.
- Títulos do tipo “o melhor cardiologista da cidade” ou qualquer comparação com colegas.
- Vídeos que usam medo para empurrar o paciente para um procedimento.
- Anunciar uma especialidade sem ter o título registrado no conselho.
- Divulgar técnicas sem reconhecimento científico como se fossem consagradas.
Um bom teste rápido: se a frase soaria estranha dita em voz alta durante uma consulta, ela provavelmente não deveria estar num post ou num anúncio. O paciente que lê o seu conteúdo merece o mesmo tom que recebe no consultório.

Você se reconhece nisso?
Se dois ou mais itens abaixo descrevem o seu consultório, este é um bom momento para organizar a comunicação:
- O seu Instagram está parado há meses porque você não sabe exatamente o que pode postar.
- Você vê colegas publicando com frequência e fica na dúvida se eles estão dentro da norma.
- O seu perfil no Google não tem fotos recentes, nem horários atualizados, nem resposta às avaliações.
- A recepção recebe perguntas repetidas que poderiam ser respondidas por um vídeo curto.
- Você já recebeu proposta de agência prometendo “agenda lotada” e desconfiou, com razão.
- O site da clínica não informa nome, CRM e RQE de forma clara.
Nenhum desses sinais é motivo de culpa. A maior parte dos médicos aprendeu muita medicina e quase nada de comunicação, e a norma anterior incentivava a cautela extrema. O ponto é que hoje existe um caminho seguro, e ele começa com organização.
Guia prático: como aproveitar a nova resolução com segurança
O caminho mais seguro tem seis passos: ler a norma, definir o papel de cada canal, montar uma pauta educativa, criar um checklist ético, revisar antes de publicar e acompanhar o que acontece. Feito assim, o marketing deixa de ser improviso e passa a funcionar como um protocolo, com etapas claras e responsabilidade definida.
1. Leia a norma uma vez, inteira. Separe uma hora, leia o texto oficial no site do CFM e anote as dúvidas. Ninguém precisa decorar a resolução, mas conhecer a estrutura dela evita muito susto depois. Guarde o link nos favoritos para consultas rápidas.
2. Defina o papel de cada canal. O Perfil da Empresa no Google serve para o paciente encontrar e confirmar dados básicos. O Instagram e o YouTube servem para ele conhecer o seu jeito de explicar. O site organiza tudo e leva ao agendamento. Quando cada canal tem uma função, fica mais fácil decidir o que publicar em cada um.
3. Monte uma pauta a partir das perguntas do consultório. Durante duas semanas, peça para a recepção anotar as dúvidas que os pacientes trazem por telefone e WhatsApp. Some com as que você ouve na consulta. Essa lista vira a base do seu conteúdo educativo, e tem a vantagem de responder a dúvidas reais, não a modismos.
4. Crie um checklist ético de cinco perguntas. Antes de cada publicação, responda: estou prometendo resultado? Estou expondo algum paciente? Estou usando medo ou urgência? Minha identificação, com nome, CRM e RQE quando for o caso, está visível? Isso caberia numa conversa de consultório? Se qualquer resposta acender um alerta, a peça volta para ajuste.
5. Revise antes de publicar, sempre. Mesmo com uma equipe cuidando do marketing, a responsabilidade sobre o conteúdo médico é sua. Combine um fluxo simples: a equipe prepara, você revisa, só então vai ao ar. Isso vale para posts, legendas, anúncios e respostas a avaliações.
6. Acompanhe e ajuste. Observe quais conteúdos geram perguntas boas, quais trazem contatos pelo WhatsApp e quais passam despercebidos. Não para perseguir curtidas, mas para entender o que é útil para o seu paciente. Em poucos meses, você terá um retrato claro do que vale manter.
Se o seu objetivo inclui atrair mais pacientes particulares, o próximo passo natural é olhar para a busca. Explicamos isso em detalhe no guia sobre como atrair pacientes particulares pelo Google sem ferir a ética médica.
Médico pode fazer anúncio pago?
Pode. A publicidade paga não é proibida pela norma, desde que respeite as mesmas regras do conteúdo orgânico: informar, identificar o médico, não prometer resultado e não usar sensacionalismo. Além disso, Google e Meta têm políticas próprias para anúncios de saúde, e a campanha precisa atender às duas camadas de regra ao mesmo tempo.
Na prática, os anúncios mais seguros são os que fazem o paciente conhecer você ou encontrar o seu atendimento: um vídeo educativo impulsionado para a sua região, um anúncio na busca para quem pesquisa a sua especialidade, um convite para agendar uma avaliação. O que não funciona, nem eticamente nem comercialmente, é anúncio com preço como chamariz, promessa de transformação ou comparação com colegas.
Outro cuidado importante é a segmentação. As plataformas restringem o uso de dados sensíveis de saúde para direcionar anúncios, e isso é coerente com o respeito ao paciente. O trabalho é feito com região, faixa etária e interesses gerais, deixando que o conteúdo atraia quem precisa dele.
E para psicólogos, dentistas e outros profissionais de saúde?
A Resolução CFM 2.336/2023 vale apenas para médicos. Psicólogos, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais seguem as normas dos seus próprios conselhos, como o CFP, o CFO, o COFFITO e o CFN, que têm regras específicas de publicidade e às vezes bem diferentes entre si.
A lógica de fundo costuma ser parecida: informar com responsabilidade, não prometer resultado e respeitar o paciente. Mas os detalhes mudam, e o que é aceito para um médico pode não ser para um psicólogo, e vice-versa. Clínicas multiprofissionais precisam de atenção redobrada, porque cada profissional que aparece na comunicação responde ao seu conselho.
Como o Marketing para Médicos pode ajudar
O Marketing para Médicos é uma empresa da Kamaleon Mídia dedicada a profissionais de saúde. A Kamaleon já atende médicos, clínicas e psicólogos com vídeo, canal no YouTube, blog e tráfego pago, e trouxe dessa experiência um processo em que a revisão do profissional faz parte do fluxo, não é um detalhe no fim.
Trabalhamos as quatro frentes que a nova resolução tornou mais acessíveis: o Google para clínicas, o conteúdo e vídeo educativo, os anúncios para médicos e o site para clínica. As gravações presenciais acontecem em Alphaville, Barueri e região. O restante é feito à distância, para consultórios de qualquer cidade.
Não prometemos agenda cheia. Prometemos método, revisão e relatórios claros. Tudo começa com uma reunião de diagnóstico, sem compromisso, em que olhamos o que você já tem e indicamos o primeiro passo.
Perguntas frequentes
A Resolução CFM 2.336/2023 já está em vigor?
Sim. A norma foi publicada em 2023 e já está em vigor, substituindo a resolução anterior sobre publicidade médica. Para qualquer dúvida sobre um ponto específico, o caminho mais seguro é consultar o texto oficial no site do CFM ou o CRM do seu estado.
O médico pode mostrar o consultório e a equipe nas redes?
Pode. Mostrar o ambiente, a estrutura e a equipe é uma das formas mais tranquilas de comunicação institucional. O cuidado é não expor pacientes sem as autorizações e condições previstas e manter o tom informativo, sem transformar o post em promessa.
Preciso colocar o CRM em todos os posts?
A identificação do médico com nome e CRM, e o RQE quando houver anúncio de especialidade, deve estar presente na comunicação. Nas redes, o mais prático é manter esses dados visíveis no perfil e nos materiais de anúncio, e conferir no texto da resolução como ela se aplica a cada formato.
Quem responde se um post da agência ferir a ética?
O médico. A responsabilidade ética sobre o conteúdo é do profissional que aparece e assina a comunicação, mesmo quando uma equipe externa produz o material. Por isso nenhum post deveria ir ao ar sem a sua revisão.
Posso contratar uma agência que não é especializada em saúde?
Pode, mas exija que ela conheça as regras do seu conselho e que trabalhe com revisão prévia. Desconfie de quem promete pacientes garantidos, sugere antes e depois sem cuidado ou usa linguagem de promoção comercial.
Para fechar
A Resolução CFM 2.336/2023 não pede que o médico vire influenciador. Ela abre espaço para que o paciente encontre informação boa, assinada por quem sabe do assunto. Quem organiza essa comunicação com calma e método costuma ganhar algo que nenhum anúncio compra sozinho: o paciente que chega à consulta já confiando. Se quiser ideias concretas para começar pelo Instagram, veja as 10 ideias de conteúdo educativo para médicos.
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